Histórias de Condutores

Ricardo Denser

Ricardo Denser

Desenvolvedor

São Paulo/SP

A viagem de volta mais tensa da minha vida

Eu namorava uma menina que estudava muito para entrar em medicina, desde que saiu da escola. Ela passava o ano todo estudando, já estava a 3 anos tentando entrar na faculdade e passava a maioria dos fins de semana fazendo simulados e vestibular.

Ela se inscreveu em todos vestibulares possíveis e um deles foi em Petrópolis, Rio de Janeiro. Algum tempo antes, nós estávamos na casa dela decidindo como ela iria para essa prova, pesquisando preços de ônibus e tudo mais. Estávamos preocupados por ser uma viagem longa, ela ir sozinha de ônibus e em uma cidade onde não conhecíamos ninguém.

Foi ai que tive a genial ideia de falar que levaria ela com meu carro e passaria a noite lá. Era uma viagem muito longa, nunca tinha ido para um lugar tão distante.

Um detalhe que ninguém sabia, meu carro estava fazendo um barulho estranho, tipo um estalo quando pisava na embreagem. Faziam uns 2 meses que estava assim e achei que não era nada, deixei daquele jeito.

A mãe dela ficou um pouco preocupada mas, no final, acabou deixando. Teríamos mais conforto e a filha dela não estaria sozinha em um lugar tão longe e desconhecido. Também seria mais barato do que as passagens de ônibus.

Finalmente chegou o dia, preparamos tudo, enchi o tanque, olhei água do carro, calibrei os pneus e todas etapas de segurança que precisam ser feitas. Pegamos a estrada, não fazia ideia de como chegar no Rio de Janeiro. Se não fosse o Waze eu estaria perdido até hoje.

Depois de 6h30 de viagem, chegamos ao local. Passamos por uma serra de Petrópolis que era muito perigosa, chegamos a ver 3 carros capotados no meio do caminho dessa serra. Até ai tudo bem, procuramos um estacionamento que fui cobrado só por entrar para pedir informação. Os cariocas viram que não eramos de lá e quiseram se dar bem em cima de nós.

Enfim, tudo certo, ficamos em um hotel, ela fez a prova e chegou o dia de voltar. Pegamos estrada novamente. Tudo parecia estar normal, até minha embreagem "estourar" e fazer um barulho muito alto. Ela tinha quebrado parcialmente.

Algumas marchas não entravam, ao longo do caminho outra foram parando de funcionar também. Quando isso aconteceu, eu olhei a primeira placa que vi e lembro bem qual era:
"São Paulo: 362km".

O desespero bateu, não tinha nenhum lugar para parar no meio da estrada, olhava em volta não via nada, não sabia onde estava, sabia que estava muito longe de casa, nenhuma oficina no meio do caminho. As paradas no pedágio estavam assustadoras. Chegou um certo ponto que eu só tinha a terceira e quinta marcha. A primeira e a segunda não entravam mais, nem forçando. Imagina sair de um pedágio de terceira marcha?

Enfim, cada km da estrada era um sufoco, lembro de voltar quase as 5h que faltavam sem conversar com minha ex namorada, os dois morrendo de medo. Foram os km mais tensos e longos da minha vida. Consegui chegar até a casa dela, deixei ela em casa e voltei para a minha.

Entrei na garagem, manobrei com dificuldade por causa das marchas e consegui estacionar. Ali foi uma das maiores sensações de alívio da minha vida. Desliguei o carro.

Foi o último suspiro de vida dele. Ele não ligava mais depois, quebrou o câmbio. Nem o guincho conseguia tirar ele porque minha garagem é baixa e não tinha como tirar o carro. Pelo menos meu carro não me deixou na mão no meio do nada e sem sinal de celular. Me entregou em casa.

Foi um dos maiores "perrengues" que já passei.

Moral da história: Se você acha que seu carro está com algum problema, vá ver isso e tentar solucionar. Nunca tente pegar estrada com o carro com problemas.

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